Comércio...

... e consumo

Braga é considerada a cidade do comércio tradicional. O centro da cidade, de origem romana, está muito vocacionado para o comércio a retalho das lojas de pequena e média dimensão. Paralelamente a esta forte tradição e com o crescimento da cidade, a periferia tornou-se, por excelência, uma zona habitacional. Para servir a população dos subúrbios da cidade surgem os centros comerciais e as grandes superfícies, que oferecem uma enorme variedade de produtos, um maior conforto e, acima de tudo, horários mais atraentes.

A evolução natural do comércio a nível internacional e, por conseguinte, a nível nacional veio alterar os hábitos dos consumidores e os dos bracarenses não foram excepção. Os lojistas do tradicional, que vivem há gerações dos seus pequenos negócios, como é o caso do Sr. Sarmento, da retrosaria “Pereira das Violas” queixa-se da falta de apoio por parte da Câmara Municipal e do Governo.

A abertura das fronteiras e o aparecimento das grandes superfícies são apontados como as principais causas da crise no comércio tradicional. O Sr. Gomes, que faz parte da administração do Bragashopping, também sente algumas dificuldades. Considera que este espaço é uma média superfície e que é preciso evoluir e melhorar para não perder clientes.
Os clientes ou consumidores vêem a chegada das grandes superfícies como uma mais-valia e muitos deles admitem ter vindo alterar os seus hábitos de consumo.

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Pequeno comércio ressente-se com vinda de novos espaços

O impacto das Grandes Superfícies no Comércio Tradicional

Vagueando pelas ruas da cidade de Braga, há algumas décadas, era possível avistar pessoas carregadas de sacos, vindas das suas compras diárias, na mercearia tradicional. Agora, é possível ver a fila de carros nas vias-rápidas que conduzem aos grandes centros comerciais da cidade.

Nos tempos em que o pequeno comércio reinava, fez-se a fama de Braga enquanto cidade do Comércio Tradicional. Nas mercearias, os frutos e legumes mais fresquinhos, no talho, as carnes mais tenras, no pronto-a-vestir, a roupa confeccionada à medida do cliente. Contudo, os tempos mudaram e no local, onde outrora estavam os lojistas tradicionais, estão agora sediadas empresas de grande renome internacional. Zara’s, Benetton’s, Pingo Doce’s e muitas outras, vieram substituir os mais antigos comerciantes. Destes, poucos são os que subsistiram.


Em meados dos anos 90, começaram, então, a surgir, em Braga, as chamadas grandes superfícies, sendo o hipermercado Feira Nova, o pioneiro. Com o sucesso do hipermercado, novas empresas decidiram apostar na cidade e, com isto, foram estabelecendo os seus negócios em várias zonas de Braga. Enquanto, por um lado, vieram valorizar as periferias, por outro, acabaram por se misturar com o comércio já existente no centro da cidade, de cariz vincadamente tradicional.

As vantagens destas grandes potências comerciais são visíveis e apontadas pelos seus principais concorrentes: desde a comodidade de um parque de estacionamento coberto e gratuito, ao horário alargado que permite aos clientes fazerem as suas compras após um dia de trabalho, passando também pela vantagem de possuírem produtos mais baratos e terem um único espaço onde concentram toda uma variedade de serviços. “As grandes superfícies são mais apelativas porque conseguem agregar tudo”, explica Claudina Duarte, gerente da loja Calçado Sameiro.

Embora os bracarenses tenham considerado a vinda do grande comércio um avanço para a cidade, os lojistas tradicionais não puderam dizer o mesmo, uma vez que viram as suas vendas cair drasticamente. “Este ano foi do pior! Nota-se uma grande quebra nas vendas”, lamenta Claudina.

Mais tarde, a chegada das “lojas dos 300” e, depois, das “lojas dos chineses” veio acentuar o drama vivido pelos pequenos comerciantes, que se sentiram injustiçados por não terem as mesmas regalias. “Está a lutar-se com armas diferentes”, salienta Januário Pereira, da frutaria Casa Manã. “A crise, o desemprego e os chineses são os principais factores responsáveis pelas baixas vendas”, completa José Gonçalves, proprietário da loja Luso Espanhola.

Posto isto, para os lojistas bracarenses, é verídico o impacto negativo que as grandes superfícies têm causado no seio do comércio de pequena e média dimensão. “Ainda vai piorar com a abertura das novas grandes superfícies”, explica José Gonçalves, referindo-se à abertura do centro comercial Dolce Vita. Para a gerente da sapataria Calçado Sameiro, embora Braga viva do comércio, este está muito saturado. “É muita concorrência, o que veio arrasar o comércio tradicional”, comenta.

Por outro lado, as grandes superfícies vêem a situação do comércio tradicional com outros olhos. “Custa-me ver a decadência de alguns espaços comerciais da cidade, que antes eram espaços de referência”, menciona Ana Rodrigues, gestora de marketing do Braga Parque. “Mas o que me parece é que o comércio tradicional não soube acompanhar as exigências do mercado”, acrescenta.


Como forma de melhorar a situação de crise vivida pelo pequeno comércio, os proprietários de casas tradicionais apontam ideias que consideram vir a ser úteis. “Inovar as casas comerciais pode ser um aspecto positivo para o comércio tradicional”, indica Alberto Dias, proprietário da casa Gandias. De maneira a combater o poderio das grandes superfícies, citam algumas das principais vantagens do comércio tradicional, sendo a qualidade dos produtos a mais referida pelos lojistas. Ainda assim, não esquecem o facto de serem mais atenciosos no atendimento junto ao cliente e o facto de primarem pela exclusividade nos serviços prestados. Nesta ordem de ideias, os pequenos comerciantes apontam também as desvantagens das grandes superfícies, referindo-se a um atendimento menos individualizado e a uma produção em massa que, além de retirar qualidade aos produtos, torna-os menos personalizados, parecendo que todos são feitos da mesma maneira, mudando apenas as marcas.

Tendo em conta o descontentamento e o desânimo dos comerciantes tradicionais, a Associação Comercial de Braga, em parceria com a Câmara Municipal, desenvolveu um projecto chamado “Braga – O Comércio está no Centro”. Assim, ao longo de 24 meses consecutivos, desde Junho de 2009 e Maio de 2011, a referida associação mobilizará os empresários do comércio bracarense, assim como diversas entidades que se destacam no panorama comercial da cidade. Neste sentido, serão estabelecidas diversas parcerias que visam melhorar a situação financeira do pequeno comércio. Segundo Gonçalo Vilarinho, da Câmara Municipal de Braga, o objectivo deste projecto é “aumentar a vitalidade do centro urbano, tornando-o um produto ímpar, atractivo, dinâmico, competitivo e sustentável do ponto de vista económico”. Desta forma, o centro da cidade deverá ser capaz de responder às necessidades e desejos dos clientes e dos turistas.

Quanto ao futuro do comércio tradicional, os lojistas não são optimistas. “Não vejo o futuro muito bom! O próximo ano vais ser muito difícil”, lamenta Claudina Duarte. “O futuro é negro! Já fecharam muitas pequenas lojas e vão fechar ainda mais”, acrescenta José Gonçalves.




Ainda assim, resta a estes pequenos comerciantes lutar pela sobrevivência dos seus estabelecimentos, procurando agradar ao cliente, incentivando-o a fazer as suas compras no comércio a retalho.

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Veja aqui algumas imagens que ilustram o consumismo.


Este blogue foi criado no âmbito da unidade curricular: "Projecto de Informação e Jornalismo", leccionada pelos docentes Luís Santos e Sandra Marinho, na licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho.
Sendo o tema geral do trabalho o contraste entre o comércio tradicional e o comércio em grandes superfíies, iremos, aqui, apresentar os resultados das nossas pesquisas na forma de reportagens televisivas, radiofónicas e de imprensa. Com o objectivo de complementar estas reportagens, utilizaremos todas as aplicações que forem adequadas à melhor compreensão e enriquecimento deste projecto. 
Assim, o blogue aqui apresentado é uma plataforma de comunicação entre o nosso grupo de trabalho e os professores da unidade cuirricular. Serve, por isso, para depositarmos todo o tipo de informação que vamos recolhendo ao longo das semanas de trabalho. Esta plataforma encontra-se organizada por separadores, sendo eles: Home, Comércio Tradicional, Grandes Superfícies, Consumidores e Making Of.
O separador "Making Of" é uma espécie de caderno diário e é o espaço, por excelência, onde colocaremos todas as informações que vamos desenvolver ao longo da elaboração do projecto.
Contrariamente ao "Making of", que é uma ferramenta diária, os restantes separadores serão desenvolvidos numa fase posterior, tendo por objectivo informar um público mais vasto.

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Esta página contém os seguintes conteúdos:
- Texto agregador (Superlead)
- Reportagem Multimédia (Comércio tradicional vs Grandes superfícies)


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